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Árvores Nativas

 

No projeto Árvores Nativas, desenvolvo desenhos em grandes dimensões de árvores originárias do Brasil, investigando as possibilidades gráficas da linha e do papel por meio de texturas, escalas, luzes e sombras. A partir de um olhar subjetivo, o desenho não busca apenas representar cada árvore, mas construir uma aproximação sensível à sua presença, respeitando sua importância nos biomas e nas redes de interdependência que sustentam a vida. Apresentadas em sua monumentalidade, as árvores se impõem diante de nós como seres cuja grandeza convoca respeito e reverência.

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A árvore simboliza aquilo que nos conecta à terra, às origens e à ancestralidade. Suas raízes evocam os vínculos que nos sustentam, enquanto seus galhos crescem em direção ao céu, estabelecendo uma relação entre permanência e transformação. Essa percepção dialoga com a teoria de Gaia, de James Lovelock e Lynn Margulis, que compreende a Terra como um sistema dinâmico de interdependências; com as pesquisas de Stefano Mancuso sobre a percepção, a comunicação e a inteligência vegetal; e com o pensamento de Ailton Krenak, que questiona a separação entre humanidade e natureza e propõe outras formas de pertencimento à Terra.

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A abordagem de Alexander von Humboldt, ao articular observação científica e experiência sensível na compreensão das relações entre os fenômenos naturais, também contribui para pensar a árvore como parte de uma trama viva. Na história da arte, o desenho e a paisagem constituíram modos de observar, interpretar e representar o mundo. Em Árvores Nativas, essa tradição é deslocada por uma prática em que o desenho se torna exercício de atenção e encontro: a linha acompanha ramificações, constrói texturas e evidencia ritmos, sem pretender esgotar a complexidade do ser desenhado.

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Os títulos correspondem aos nomes populares das espécies, alguns de origem tupi, acompanhados de seus significados, reconhecendo conhecimentos inscritos na linguagem e nas relações culturais com o território. Entre matéria e memória, terra e céu, o desenho busca ampliar nossa percepção das árvores não apenas como elementos da paisagem, mas como seres fundamentais à vida, cuja presença nos convida a reconsiderar nosso lugar na complexa rede de relações que constitui o mundo.

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