Sobre os desenhos de Claudia

Alfredo Nicolaiewsky

 

 

Acompanho a caminhada de Claudia Hamerski há alguns anos e, desde o início, era possível perceber sua dedicação e empenho. Agora chegou a hora de Claudia mostrar a um público mais amplo seus primeiros frutos.

O que vemos são desenhos de árvores. Pequenos desenhos feitos com grafite sobre papel. Assim falando parece simples. Será? Claudia busca o estranhamento em seus trabalhos. E como ela conseguiu isto? Apesar de “suas árvores” serem feitas de maneira quase fotográfica, os ângulos para representá-las não é o usual. O que temos representado é um olhar para o céu, para o alto, como se estivéssemos deitados na terra, sob as árvores desfolhadas. Vemos traços delicados se espalhando pelo espaço.

 Porém CH vai um pouco além. Unindo diversos desenhos, ou diversas árvores, cria algo novo. Surgem novas formas. Talvez um bosque visto da terra. Talvez pareçam menos árvores e mais grafismos. Há um embaralhamento das formas vegetais, surgindo com mais força a visão do desenho: as diferentes linhas de grafite, ora fortes e incisivas, ora tênues, quase se desfazendo. Um emaranhado de elementos que se organizam e organizam o espaço branco do papel.

Suas árvores estão aí, como os primeiros frutos maduros de uma jovem artista promissora.   

 

Alfredo Nicolaiewsky, artista-pesquisador e professor no Instituto de Artes da Ufrgs

 

*Texto escrito para a exposição Fragmentos: uma experiência gráfica por Claudia Hamerski realizada em 2007, Porto Alegre RS.